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Montanhas das Estrelas

Em toda Apios, quando alguĆ©m quer dizer que uma coisa Ć© impossĆ­vel de alcanƧar, diz: ā€œComo chegar ao topo das Estrelas.ā€ E quando quer dizer que algo Ć© digno de admiração absoluta, diz: ā€œComo o cĆ©u sobre as Estrelas.ā€

As Montanhas das Estrelas dominam o horizonte norte de Apios Grande — uma cadeia de picos cobertos de neve permanente que parece impossĆ­vel de existir em um arquipĆ©lago tropical. E de fato seria impossĆ­vel, se nĆ£o fosse pela magia antiga que impregna a rocha desses picos. Algo nas Montanhas das Estrelas resiste ao calor que deveria derreter a neve; os picos mais altos sĆ£o eternamente brancos, refletindo a luz de Rodu durante o dia e as estrelas durante a noite como espelhos naturais que existem hĆ” milĆŖnios.

Cartógrafa Iline Verras, da Academia de Korala, em suas memórias de expedição

ā€œNo dĆ©cimo terceiro dia de escalada, atingi o segundo pico e olhei para o cĆ©u na hora do meio-dia. Havia estrelas. Estrelas, no meio do dia. NĆ£o era ilusĆ£o — as companheiras me confirmaram depois. O cĆ©u sobre as Estrelas Ć© mais fino do que deveria ser. Algo ali separa o mundo dos vivos do resto do cosmos. O que esse ā€˜resto’ contĆ©m, prefiro nĆ£o especular em texto.ā€


Geografia

A cadeia das Montanhas das Estrelas se estende por aproximadamente duzentos quilĆ“metros no sentido leste-oeste, formando uma barreira natural que separa a planĆ­cie costeira norte de Apios Grande dos planaltos centrais. Os picos mais altos — denominados pelos ilhĆ©us como Os Quatro Velhos — tĆŖm nomes individuais:

  • Arrimo — o pico mais alto, a oeste; formato de coluna vertical que os cartógrafos usam como ponto de referĆŖncia
  • Dobrado — pico com uma curvatura peculiar no topo, como se algo o tivesse dobrado
  • GĆŖmeos — dois picos de altura quase idĆŖntica que muitas cartas mostram como um só
  • Silencioso — o Ćŗnico dos quatro sem neve permanente; sua rocha Ć© negra como carvĆ£o e nĆ£o aceita neve nem gelo

As encostas inferiores tĆŖm floresta densa atĆ© certa altitude. Acima da linha de Ć”rvores, comeƧa a zona de rocha exposta — e Ć© aqui que as propriedades estranhas das montanhas comeƧam a se manifestar.


O FenƓmeno das Estrelas Diurnas

O nome das montanhas vem de um fenÓmeno documentado mas não explicado: acima de certa altitude, especialmente próximo aos Quatro Velhos, estrelas são visíveis a olho nu mesmo durante o dia. A luz solar não as apaga completamente. As constelações visíveis do topo das Montanhas das Estrelas não correspondem ao mapa celeste padrão utilizado em Korala ou no resto de Lhodos.

Os estudiosos da Academia de Korala tĆŖm trĆŖs teorias concorrentes:

Teoria da Membrana Fina: As Montanhas das Estrelas existem em um ponto onde o véu entre o plano material e os planos superiores é anormalmente delgado. As estrelas visíveis são literalmente estrelas de outro plano de existência.

Teoria dos Espelhos Divinos: Os picos funcionam como espelhos mĆ”gicos que captam e amplificam a luz estelar de noite, deixando um resĆ­duo luminoso que persiste durante o dia. As constelaƧƵes ā€œerradasā€ sĆ£o reflexos distorcidos das constelaƧƵes normais.

Teoria da Observação Divina: A mais popular entre os habitantes de Apios — os deuses, em algum momento da história, usaram esses picos para observar o mundo mortal. Esse uso deixou um rastro permanente: as estrelas vistas de cĆ” sĆ£o os ā€œolhosā€ dos deuses, ainda abertos, ainda olhando para baixo.


Lendas e mitos

A tradição oral de Apios é rica em histórias sobre as Montanhas das Estrelas:

A Lenda dos Vigias: Conta que antes dos deuses atuais, havia vigias — seres de luz pura que habitavam os picos mais altos para monitorar o comportamento dos mortais. Quando os deuses tomaram forma e desceram ao mundo, os vigias recuaram para as estrelas. Mas deixaram janelas abertas — e ainda olham pelo que era deles.

O Caminho dos Merecedores: Uma trilha lendĆ”ria que, segundo dizem, só aparece para aqueles que Rodu ou Vuin consideram dignos. O Caminho leva ao topo do Arrimo, onde existe uma plataforma de pedra lisa gravada com constelaƧƵes que nenhum cartógrafo jamais copiou completamente — porque todos que chegaram lĆ” desceram com partes diferentes dos mapas, como se a plataforma mostrasse coisas diferentes para pessoas diferentes.

O Silencioso Acorda: Sobre o pico negro sem neve, hĆ” uma profecia vaga de que quando o Silencioso ā€œacordarā€ — manifestação ainda nĆ£o definida — algo antigo e esquecido voltarĆ” ao mundo.


Flora e fauna

As encostas das Montanhas das Estrelas têm espécies encontradas em poucos outros lugares de Lhodos:

  • Flor de Gelo Noturno — floresce apenas Ć  meia-noite, sob luz estelar; usada em poƧƵes de visĆ£o e rituais de adivinhação
  • Ɓguia de Cristal — ave de plumagem translĆŗcida que aninha nos picos; capturar uma Ć© considerado crime em toda Apios por acordo tĆ”cito entre os ducados
  • Urso das Estrelas — urso albino de tamanho excepcionalmente grande; os druidas locais o consideram guardiĆ£o espiritual das montanhas
  • Fungos Estelares — crescem na rocha próxima aos Quatro Velhos; tĆŖm propriedades psicoativas documentadas e sĆ£o usados em rituais de visĆ£o por seguidores de Vuin

Povos das Montanhas

Nenhuma cidade existe permanentemente nas Montanhas das Estrelas — a altitude e o frio tornariam sustentação permanente extremamente difĆ­cil. Mas hĆ” grupos que frequentam as encostas:

Os Guarda-Estrelas — monges nĆ“mades que passam meses acampados nas encostas medindo os movimentos das constelaƧƵes anĆ“malas. NĆ£o pertencem a nenhuma religiĆ£o oficial. Compartilham observaƧƵes apenas entre si. SĆ£o pacĆ­ficos e raramente conversam com estranhos — nĆ£o por hostilidade, mas por prioridade.

CaƧadores do Norte — grupos de caƧadores do Ducado de Bunes que sobem sazonalmente para caƧa maior, incluindo o Urso das Estrelas (apesar das regras tĆ”citas).

Estudantes da Fortaleza da Vitória — a Fortaleza usa as encostas como terreno de treinamento avanƧado; alcanƧar o segundo pico do GĆŖmeos Ć© o requisito de graduação de alguns programas.


Pontos de interesse

  • A Plataforma do Arrimo — o destino da lenda; ninguĆ©m chegou lĆ” nos Ćŗltimos cinquenta anos e voltou para contar de forma coerente
  • O RefĆŗgio dos Guarda-Estrelas — acampamento semipermanente na encosta do Dobrado; estrutura de pedra e madeira que existe hĆ” geraƧƵes; sempre hĆ” alguĆ©m lĆ”
  • A Pedra Negra do Silencioso — trecho de encosta na base do pico negro onde a rocha tem temperatura maior que deveria; mesmo no inverno, nĆ£o congela
  • As Grutas do Gelo Eterno — cavernas nas encostas do Arrimo onde o gelo tem formaƧƵes impossĆ­veis: padrƵes que parecem manuais, escritas que ninguĆ©m reconhece

Ganchos de aventura

  • O Guarda-Estrelas Desaparecido: Um monge dos Guarda-Estrelas desceu da montanha delirando com uma constelação ā€œque nĆ£o deveria estar lĆ”ā€ e depois desapareceu. Seus companheiros querem encontrĆ”-lo. A Academia de Korala quer saber o que ele viu.
  • A Trilha do Merecedor: AlguĆ©m encontrou o que acredita ser a entrada do Caminho dos Merecedores — e contratou aventureiros para acompanhĆ”-lo ao topo antes de ter certeza do que estĆ” fazendo.
  • O Silencioso Aquece: A temperatura da Pedra Negra aumentou significativamente nos Ćŗltimos dois meses. Os druidas locais estĆ£o preocupados. Os Magos Rubros enviaram uma equipe para investigar. A equipe nĆ£o voltou.
  • A Flor Proibida: Uma casa comercial de Albameria estĆ” contrabandeando Flor de Gelo Noturno em volumes que sugerem produção organizada. Quem estĆ” cultivando-a ilegalmente lĆ” no alto — e o que planeja fazer com tanta poção de visĆ£o?

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